• Quarta-Feira, 18 de Setembro de 2019

Hacker diz que Manuela D’Ávila intermediou contato com Greenwald

O hacker afirmou durante depoimento que a ex-deputada teria facilitado a divulgação das conversas ao veículo

Manuela D'ávila foi candidata a vice-presidente na chapa de Haddad / Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

No depoimento à Polícia Federal, Walter Delgatti Neto disse que entrou em contato com o jornalista do site Intercept em maio, no Dia das Mães, e que foi a ex-deputada Manuela d’Ávila, do PCdoB do Rio Grande do Sul, quem intermediou esse contato Glenn Greenwald. Manuela d’Ávila disputou a última eleição presidencial como vice na chapa com Fernando Haddad, do PT.

Delgatti afirmou que a procurou depois de encontrar o número de celular dela na agenda telefônica da ex-presidente Dilma Rousseff, que ele diz também ter invadido. Segundo Delgatti, ele não cobrou dinheiro do site Intercept para entregar as mensagens que roubou e só teve contatos virtuais com o jornalista Glenn Greenwald.

Delgatti contou à Polícia Federal que resolveu procurar o jornalista Glenn Greenwald “por saber de sua atuação nas reportagens relacionadas ao vazamento de informações do governo dos EUA, conhecido como o caso Snowden”.

No depoimento, Delgatti disse que obteve na lista de contatos do telefone do ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão, do MDB, o número da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, mas negou ter armazenado qualquer conteúdo desses telefones. Ele disse não se lembrar de como conseguiu o número do ex-governador Pezão. Na agenda da ex-presidente Dilma, Walter afirmou que pegou o número de telefone da ex-candidata a vice-presidente da República, Manuela d’Ávila, do PCdoB.

Segundo ele, na manhã do Dia das Mães de 2019, ligou diretamente para Manuela d’Ávila afirmando que possuía o acervo de conversas do Ministério Público Federal contendo irregularidades.

Delgatti revelou que, na ligação, disse que precisava do contato do jornalista Glenn Greenwald; que a princípio Manuela d’Ávila não estava acreditando no declarante, motivo pelo qual fez o envio para ela de uma gravação de áudio entre os procuradores da República Orlando e Januário Paludo; que no mesmo domingo do Dia das Mães, cerca de dez minutos após ter enviado o áudio, recebeu uma mensagem no Telegram do jornalista Glenn Greenwald, que afirmou ter interesse no material, que possuiria interesse público.

O hacker disse à Polícia Federal que começou a repassar os conteúdos dos procuradores para o jornalista, mas que, por conta do tamanho do material, optou por usar o Dropbox, um aplicativo de armazenamento de conteúdo, e entregou a senha de acesso ao aplicativo para Glenn. Delgatti disse no depoimento que em nenhum momento passou seus dados pessoais para Glenn Greenwald; que Glenn ou qualquer jornalista de sua equipe conhece o declarante; e que nunca recebeu qualquer valor, quantia ou vantagem em troca do material disponibilizado ao jornalista Glenn Greenwald.

Ainda no depoimento, Delgatti disse que não invadiu contas no aplicativo de mensagens de “nenhuma outra autoridade pública além daquelas citadas anteriormente”.

Inclusive, ao citar nomes específicos, o hacker disse que não acessou a conta do Telegram da deputada federal Joice Hasselman, do ministro da Economia, Paulo Guedes, ou de qualquer outra autoridade do atual governo federal.

Mas que também acessou o conteúdo do Telegram do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo acesso apenas à sua agenda do aplicativo”, e afirmou que “não possui qualquer registro dos ataques realizados à conta do Telegram do ex-presidente Lula.

Numa rede social, a ex-deputada Manuela d’Ávila afirmou que, no dia 12 de maio, recebeu um comunicado do Telegram, informando que o dispositivo dela havia sido invadido no estado da Virgínia, Estados Unidos, e que, minutos depois, recebeu uma mensagem de uma pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém da lista de contatos dela.

A ex-deputada afirmou que, na sequência, a pessoa disse que, na verdade, era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras; que essa pessoa não se identificou; que disse morar no exterior; e que queria divulgar o material, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza.

A ex-deputada declarou ainda que, pela invasão do celular e pelas mensagens enviadas, imaginou que se tratasse de alguma armadilha de adversários políticos, e que, por isso, apesar de ser jornalista e poder fazer matérias com sigilo de fonte, repassou o contato do jornalista Glenn Greenwald.

Manuela d’Ávila afirmou ainda que desconhece a identidade de quem invadiu o celular dela; que se coloca à disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos; e que pediu aos advogados para entregar cópias das mensagens à Polícia Federal.

Em seu depoimento à Polícia Federal, o hacker Walter Delgatti Neto disse que partiu dele a iniciativa de pedir o contato do jornalista Glenn Greenwald.

Em nota, o site Intercept Brasil disse que não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas; que os desdobramentos da operação deflagrada pela Polícia Federal não mudam o fato de que a Constituição federal garante o direito do Intercept de publicar suas reportagens com este ou qualquer outro material de interesse público que chegue à redação do site. A nota diz ainda que o Intercept Brasil continuará exercendo seu trabalho com rigor jornalístico.
 

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