Reforma da Catedral de Picos completa dois meses parada e clero cobra solução
Obra foi paralisada no dia 24 de abril por recomendação do Ministério Público e não tem previsão de quando será retomada
Piso da Catedral já não era o original em alguns pontos / Foto: José Maria Barros
Por José Maria Barros
Nesta segunda-feira, 24 de junho, completam dois meses que as obras de reforma da Igreja Catedral de Nossa Senhora dos Remédios, em Picos, estão paralisadas. O serviço foi parado por recomendação do Ministério Público Estadual, em decisão que se baseou numa lei municipal de tombamento do templo, eleito por duas vezes a segunda maravilha do Piauí.
Como o impasse persiste há dois meses, os dirigentes da Igreja Católica em Picos vêm cobrando uma decisão por parte do Ministério Público. Têm também buscado alternativas junto a Câmara Municipal de Vereadores, que aprovou a lei n 2866/2017, que dispõe sobre o tombamento de Edificações Públicas e Privadas, dentre as quais a Catedral de Nossa Senhora dos Remédios.
No início da tarde da última quarta-feira, 19, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, Padre Francisco Pereira Borges (Chiquinho), reuniu-se com o prefeito de Picos, Padre José Walmir de Lima (PT) e com o presidente da Câmara, Hugo Victor (MDB).
O encontro foi na Sala da Presidência da Câmara e, segundo o Padre Chiquinho confidenciou a reportagem do Informa Picos, ele foi cobrar do prefeito e do presidente da Câmara, uma solução para o impasse gerado pela lei de tombamento da Catedral.
Durante a reunião, o Padre Chiquinho chegou a acusar a Câmara Municipal de Picos de ter aprovado a lei de tombamento na calada da noite e sem escutar nem a Diocese de Picos e nem a Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, onde ele é pároco.
Parecer jurídico
Questionado sobre o encontro, o prefeito Padre Walmir desconversou e disse que havia tratado com o pároco sobre outros assuntos e, não propriamente sobre a troca do piso da Catedral. Admitiu, porém, que o Padre Chiquinho havia pedido um parecer jurídico da Secretaria Municipal de Cultura sobre o assunto.
“O Padre Chiquinho procurou a Secretaria de Cultura e esta pediu um parecer jurídico a respeito da lei de tombamento aprovada pela Câmara Municipal de Picos para vê se havia alguma incompatibilidade entre a proposta de reforma da Catedral e o teor da lei de tombamento. A Prefeitura de Picos não tem nada contra, estão aguardando apenas o parecer jurídico do Maycon Luz [Procurador Geral do Município} e da Secretaria de Cultura” – justificou o prefeito.
Entenda o caso
A troca do piso da Catedral teve início em 22 de abril e foi paralisada dois dias depois por recomendação do Ministério Público Estadual. A promotora de justiça Karine Araruna Xavier utilizou-se da Lei Municipal Nº 2866/2017 para solicitar o embargo da obra dentro de um prazo de 24 horas e, foi atendida pelo bispo Dom Plínio José.
A lei de tombamento é de autoria do vereador Francisco das Chagas de Sousa, o Chaguinha (PTB), foi aprovada em plenário pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito, Padre José Walmir de Lima (PT), em 11 de dezembro de 2017, sem que fosse ouvida ou sequer comunicada a Diocese de Picos ou a Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, que é a responsável pela Catedral.
Em seu artigo 2º a lei destaca: “A partir desta data, as edificações não poderão sofrer alterações arquitetônicas nas áreas externas. Qualquer modificação interna deverá manter a originalidade da fachada”. A reforma da Catedral não inclui mudança na fachada do prédio, mas apenas a troca do piso interno.
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