Coaf aponta pagamentos de deputados do Piauí a faturas do cartão de Ciro Nogueira
O valor de R$ 17 mil quitado por terceiros levanta suspeitas sobre movimentações financeiras de Ciro
Senador Ciro Nogueira (PP) / Foto: divulgação
Deputados federais do Partido Progressista eleitos pelo Piauí pagaram duas faturas de cartões do senador Ciro Nogueira, presidente da sigla. As informações foram divulgadas em comunicado feito ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.
Segundo o documento, os deputados Átila Lira e Júlio Arcoverde, ambos eleitos pelo Piauí, pagaram duas faturas de cartão de crédito do senador em 2024. Somados, os valores chegam a cerca de R$ 17 mil.
A movimentação aparece vinculada a investigações sobre a BK Instituição de Pagamento, fintech conhecida como BK Bank, que é alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal do Brasil. A empresa é apontada como um dos núcleos financeiros associados ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo as investigações, a fintech teria sido utilizada para movimentação de recursos e ocultação de origem de valores ilícitos, com atuação na aquisição de empresas e estruturação financeira do grupo criminoso, em um esquema que caracteriza lavagem de dinheiro.
A BK Bank, é citada como uma peça central na engrenagem financeira do grupo criminoso. Segundo as investigações, a fintech atuava como o braço financeiro de captação de recursos e aquisição de empresas, viabilizando a movimentação de valores e a ocultação de sua origem ilícita, caracterizando lavagem de dinheiro.
O relatório do Coaf também registra que o próprio Ciro Nogueira realizou uma transferência de R$ 12.297,92 para uma conta vinculada à BK Bank, o que levou à inclusão das movimentações no documento de inteligência financeira.
Contas pagas e movimentações suspeitas
Em 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira pagou um boleto de R$ 3.457,00 referente a um cartão de crédito do BRB em nome de Ciro Nogueira. Questionado pelo G1 sobre a movimentação, o deputado negou a informação e acusou possível erro da Caixa Econômica Federal.
Júlio Arcoverde pagou, em 19 de junho do mesmo ano, uma fatura de R$ 13.693,54 em nome do senador. Ao veículo, o deputado comentou que o pagamento pode ser relativo a alguma encomenda feita a Ciro Nogueira durante viagem internacional do senador.
Diálogos vazados de Vorcaro indicam que o banqueiro celebrou uma emenda do parlamentar a um projeto que favorecia o Banco Master. Em conversas privadas de 2024, Vorcaro qualifica Nogueira como um dos grandes amigos de vida.
Outro lado
Procurado, Ciro Nogueira disse que mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir m elas.
Na última terça-feira (17), Ciro Nogueira defendeu que constantemente é chamado para palestras, jantares e encontros com todos os grandes empresários do país. O senador destacou que caso surja alguma denuncia comprovada que ligue o seu nome a Daniel Vorcaro e o caso do Banco Master, renunciará ao mandato.
Fonte: Infomoney



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