Pastores evangélicos emitem nota de repúdio às declarações do vereador Renato Ibiapino
Os pastores se manifestaram após declarações do vereador Renato Ibiapino na sessão de quarta-feira
Nota de repúdio / Foto: divulgação
Nota de repúdio
Em defesa da liberdade religiosa, da consciência cristã e do respeito à comunidade evangélica
Nós, pastores evangélicos da cidade de Picos, manifestamos nosso veemente repúdio às declarações atribuídas ao vereador Raimundo Nunes Ibiapino, conhecido como Renato, durante sessão da Câmara Municipal de Picos, nas quais, conforme relato divulgado, dirigiu críticas à comunidade evangélica por suas preferências eleitorais e afirmou que cristãos que apoiam candidatos identificados com a direita estariam pregando um evangelho contrário ao de Jesus Cristo.
Consideramos legítimo que qualquer parlamentar manifeste suas convicções políticas, defenda seus candidatos e apresente suas interpretações sobre questões sociais. O que não podemos aceitar é que a divergência política seja transformada em instrumento de julgamento da fé alheia, como se a escolha eleitoral de um cidadão fosse suficiente para determinar a autenticidade de sua vida cristã.
A fé cristã não pertence a partidos políticos, assim como o Evangelho não pode ser reduzido a uma plataforma eleitoral. Jesus Cristo não pode ser utilizado como propriedade ideológica de nenhum grupo, partido ou corrente política. Sua mensagem alcança a vida espiritual, moral e social do ser humano, confrontando a injustiça, a hipocrisia, a opressão, o egoísmo e o pecado, independentemente de quem os pratique ou de qual posição política essa pessoa ocupe.
É igualmente inadequado afirmar que os evangélicos que apoiam determinado candidato deixaram de pregar Jesus ou abandonaram o verdadeiro Evangelho. A comunidade evangélica brasileira é diversa, composta por cidadãos com diferentes experiências, convicções e avaliações políticas. Não cabe a um representante público desqualificar coletivamente a fé desses cidadãos com base em suas escolhas nas urnas.
A Bíblia ensina que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34) e que a defesa da justiça e do próximo não deve ser submetida a conveniências ideológicas. Também ensina que devemos examinar todas as coisas e reter o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21). Portanto, nenhum partido possui o monopólio da justiça, da solidariedade, da verdade ou da defesa dos pobres. Essas virtudes devem ser avaliadas pelas ações, propostas e resultados concretos, e não simplesmente pelas etiquetas políticas atribuídas a seus defensores.
Também rejeitamos a tentativa de estabelecer uma espécie de certificado político de autenticidade cristã, como se fosse possível determinar quem prega o verdadeiro Evangelho a partir do voto depositado na urna. O voto é uma decisão de consciência, e a liberdade religiosa inclui o direito de o cristão formar suas convicções políticas sem intimidação, constrangimento ou condenação ideológica.
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, assegura a liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos. Esses direitos não autorizam privilégios para os evangélicos, mas garantem a todos os cidadãos o respeito à sua liberdade de convicção e de expressão religiosa.
Ao ocupar uma tribuna pública, um vereador exerce uma função que exige responsabilidade, equilíbrio e respeito à pluralidade da sociedade que representa. A tribuna deve servir ao debate democrático, não à desqualificação de parcelas da população por suas convicções religiosas ou preferências eleitorais.
Nossa posição não significa declarar qualquer candidato imune a críticas, tampouco transformar a Igreja em instrumento de propaganda partidária. Significa afirmar que os pastores têm o direito e a responsabilidade de orientar seus membros à luz das Escrituras, e cada cidadão tem o direito de decidir seu voto com liberdade e responsabilidade. Nenhum político deve confundir discordância com desqualificação da fé cristã.
Diante disso, repudiamos as declarações nos termos em que foram relatadas, por entendermos que associar genericamente a escolha política de evangélicos ao abandono do Evangelho representa uma generalização injusta e desrespeitosa. Esperamos que o debate público em Picos seja conduzido com a elevação que a democracia exige e que o respeito às diferentes convicções prevaleça sobre a hostilidade ideológica.
Reafirmamos nosso compromisso com a proclamação integral do Evangelho de Jesus Cristo, com a dignidade humana, com a justiça, com a liberdade religiosa e com a convivência respeitosa entre pessoas que pensam de maneira diferente.
Respeitar a democracia é reconhecer que ninguém precisa renunciar à própria consciência para exercer sua cidadania. E respeitar o Evangelho é não permitir que Cristo seja transformado em instrumento de conveniência político-partidária.
Picos – PI, 23 de outubro de 2026. PASTORES EVANGÉLICOS DA CIDADE DE PICOS – PI



Marcos Vinícius Souza do Nascimento
De acordo!